Durante quase toda a vida, a maioria permanece concentrada apenas no mundo exterior. Raramente, olhando para dentro de si.
A razão desta atitude? Medo.
Medo de não se gostar do que vê. Medo de olhar sua própria sujeira. Medo de descobrir ou fazer contato com um lado negro que se tenta a todo custo negar a existência. Medo de não se achar tão bonito, tão bom, tão inteligente quanto se quer fazer transparecer.
Vive-se então de máscaras, atuando eternamente como personagem de uma peça teatral que é a sua própria história.
E quão difícil manter esta personagem! Quão alto o preço que se paga!
Certamente mergulhar fundo em seu interior é uma viagem difícil. Muitas das vezes, descobre-se sentimentos e emoções jamais toleradas nos outros. Isso, por certo é um dos grandes motivos delas estarem ali, sufocadas, quietas.
Mas, o que se deve perceber é que, estas emoções e estes sentimentos não estão mortos, muito pelo contrário, encontram-se vivos e normalmente vão crescendo em silêncio, como um câncer (na maioria das vezes eles são realmente o próprio câncer), pronto para eclodir e devastar a vida.
Oculta, a emoção não abandona o íntimo. É preciso que se tenha coragem de encará-la, é preciso assumir sua existência.
Não existe outra forma de se limpar a casa, sem criar uma imensa bagunça em seu interior, revirando gavetas, reconhecendo a inutilidade de objetos guardados no fundo dos baús, jogando tudo fora.
Como na casa, deve-se limpar também o lar interior. Atentar para sentimentos ocultos, revirar todos os cantos, fazendo contato com a sujeira, reconhecendo sua existência, entendendo onde ela se originou, para só então eliminá-la.
Limpar as sujeiras das profundezas do "EU" é o primeiro passo para encontrar a cura de todos os males que afligem a Humanidade.



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